ter. fev 27th, 2024
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A Escritora e Pedagoga Josy Asca está lançando o seu segundo livro pela editora Academia Periférica de Letras, “Akin e a sua cor preciosa “, após quase dois anos a escritora está de volta trazendo de forma lúdica personagens históricos, que representam as lutas raciais e sociais ao longo dos anos como: Zumbi dos Palmares, Dandara, Carolina Maria de Jesus e Nelson Mandela.“Ler é fonte de conhecimento e intransferível”, afirma Asca que trabalha a autoestima, aceitação e igualdade racial de crianças pretas e brancas.

A obra é um convite para crianças e adultos de todas as cores a entrarem em um novo universo, onde dúvidas e questões do cotidiano infantil podem ser explicadas de forma simples e objetiva O tema abordado serve como inspiração e encorajamento para as novas conquistas, do leitor infantil, durante a sua trajetória acadêmica e pessoal, pois é o recorte social de muitas famílias brasileiras.

É a segunda vez que a Imprensa Preta tem o prazer de trazer o trabalho da autora para nossas páginas, a primeira foi em 2021 em https://www.imprensapreta.com/2021/08/05/o-amor-nao-tem-cor/, desta vez batemos um papo mais aprofundado com a escritora que você acompanha agora.

ENTREVISTA 

1 – Dois anos se passaram do seu último livro , Amor não tem cor , o que mudou de lá pra cá na sua vida como escritora ?

Josy Asca – A partir do meu primeiro livro, abriu-se um leque de oportunidades e principalmente a necessidade de escrever sobre temáticas que envolvam nosso povo, nossa história e principalmente apresentar para as crianças toda nossa ancestralidade que poucos conhecem.

2 – No seu primeiro livro a abordagem se trata de um tema real e social, que é a questão racial vivida pelo seu próprio filho, como foi enfrentar toda essa situação e nos dias atuais como você vê sua contribuição para esse debate ?

Josy Asca – No livro O amor não tem cor tive todo cuidado de explicar a questão do colorismo sem vitimismo e abordando uma real situação vivida por todos miscigenados do nosso país, que é tão racista e cruel.
Acredito que a minha maior contribuição no enfrentamento do racismo é apresentar para as crianças a nossa verdadeira raiz, nossa ancestralidade e mostrar que somos importantes e temos onde nos espelhar.

3 – Josy Asca, qual foi a importância na sua vida a escrita ainda mais tratando de um tema que no atual tempo parece estar muito a flor da pele?

Josy Asca – A minha história com a leitura vem desde a minha infância, meu pai um homem negro semi – analfabeto, me trazia muitos gibis e pedia pra eu ler pra ele, eu não sabia que ele não sabia ler e eu também sem saber ler inventava as histórias e ele acreditava que seria as histórias reais do gibi. Até que aprendi a ler e percebi que o que eu contasse ele se alegrava e realmente achava que seria a história escrita , com o passar dos anos percebi o quanto a literatura é importante nessa primeira infância. Mas nunca tive oportunidade de ler histórias de negros , isso me impulsiona a escrever sobre nossas raízes, algo que não tive na infância.

4 – Seu novo livro Akin e sua cor preciosa!, aborda outra questão social para o povo preto, que é a de ter referências de pessoas que se destaram e tiveram importantes participações na História, como você chegou a esse tema ?

Josy Asca – A história do Akin retrata uma situação que aconteceu com um aluno meu que não se enxergava como negro. Desenvolvi um trabalho durante o ano letivo levando fotografias e histórias de personalidades negras que se destacaram na história e deu muito certo!
As crianças precisam conhecer médicos, juízes, dentistas, e tantos outros negros e pensarem que podem ser o que quiserem e com estudo e dedicação se tornarem pessoas importantes.

5 – Na primeira parte do livro, você trata de um assunto muito importante que é a questão da autoestima, do sentimento de ser amar e de romper com padrões de beleza Eurocentristas, Qual foi o motivo pelo qual você viu a importância de tratar esse tema na primeira infância?

Josy Asca – Acredito que muitos ou quase todos já passaram por alguma situação assim na fase escolar, de ter vergonha do seu cabelo, suas roupas, seus esteriótipos, e o Akin vem desconstruindo toda essa forma de pensamento e levando as crianças a se amarem e terem orgulho de sua negritude.

6 – Quando falamos de referências Históricas, você acredita que ainda falta uma abordagem real mais diversa dentro das salas de aula, principalmente quando o recorte é racial?

Josy Asca – sim, vejo uma realidade ainda muito longe, estamos caminhando à passos de formiguinha, precisamos ter mais engajamento e principalmente representatividade nas escolas, algo que as crianças ao olharem se identifiquem. Nas escolas primeiro nos ensinaram que somos descendentes de escravos, isso acaba com a autoestima de qualquer criança negra que ainda não conhece a sua real história, A escola tem um papel fundamental de apresentar nossas riquezas, apresentar a África e toda sua beleza e realeza. Somos descendentes de Reis e rainhas , esse tem que ser o primeiro impacto na vida de uma criança negra.

7 – Como escritora e Pedagoga, como foi viver em país durante 4 anos em que se tratava a questão racial como mimi?

Josy Asca – Eu vi como um retrocesso, uma tentativa de silenciamento da nossa missão de levar a nossa verdadeira história para os pequenos. Foi um período onde os pretos não tiveram incentivo, voz e valorização.

8 – Já podemos contar com o lançamento do terceiro livro e qual tema o público pode esperar?

Josy Asca – sim, estou na fase da ilustração de um livro onde abordo como foi o meu ingresso na Educação, uma mulher preta, cheia de sonhos e com uma vontade enorme de lutar, nesse livro abordo também as minhas experiências na Educação Antirracista e dou dicas de como trabalhar o tema nas Escolas. Está previsto para fim do ano!

Não me sentirei livre, enquanto existir mulheres prisioneiras, mesmo que as correntes delas sejam diferentes das minhas!

Vamos aquilombar?

Escritora – Josy Asca – https://www.instagram.com/escritora_josyasca/

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Eddie Junior

Radialista à 20 anos na Região Metropolitana de Campinas , Jornalista
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