ZEFERINA _ RAINHA MOCAMBEIRA: Diáspora africana e o Quilombo Urubu

AUTOR: Dalton Paula
DADOS BIOGRÁFICOS:Brasília, Brasil, 1982
TÍTULO:Zeferina CRÉDITOS DA FOTOGRAFIA: MASP

Década de 1820, nos subúrbios de Salvador- BA.

Como recomendação peço que antes de entrar nessa história ancestral, coloque a música da Mc Tha, Rito de Passá ao fundo….

“Abram os caminhos

Abram os caminhos

Abram os caminhos

Abram-se os caminhos

A flecha atirei

Onde caiu guardei

O céu relampiou

A chuva vai chegar

Meu corpo foi ao chão

Na palha pra curar

Lavei a alma então”

[...]

         Foi uma mulher negra, guerreira e no registro do saber popular por meio da tradição oral, o famoso “boca-a- boca”, seus feitos foram contados de geração em geração, de mãe para filha, até suas netas e seus descendentes.

Zeferina, ficou conhecida como a rainha do quilombo Urubu, uma liderança em busca da libertação dos povos oprimidos, seu grupo era formado por homens e mulheres negras e por  indígenas, aqueles que na linha do tempo histórico cunharam seu grito de liberdade com tamanha coragem e perseverança, permeando nas entrelinhas de suas ações o sentido de coletividade pautado pelos modelos de civilização africana.

Edna Carvalho interpreta Zeferina no documentário — Foto: CHIQUINHO OLIVEIRA / DIVULGAÇÃO

Buscando abrigo e um bom lugar os ex-escravizados fugidos, alforriados e os indígenas, seguiram mata adentro, chegando onde atualmente fica o parque São Bartolomeu, situado entre Pirajá e o Subúrbio Ferroviário da capital baiana, construindo ali a sede do quilombo. Zeferina norteava os seus por meio das religiões de matrizes africanas, as águas que banham o parque são consideradas um santuário para o povo de Santo, onde por vezes foi palco dos cultos do candomblé e da umbanda,  suas cachoeiras são nomeadas por  Oxum, Oxumarê, Tempo e Escorredeira, tamanha a importância deste lugar para o povo preto.

Os métodos ancestrais aprendidos em África foram aplicados por Zeferina como uma maneira de assegurar a vida dos que estavam ali e também sua sustentação administrativa, política e cultural. O resgate das estratégias dos seus mais velhos era um guia para a libertação, assim como a religião afro-brasileira representava sua potente ligação espiritual e norte da tão almejada quebra das amarras do sistema escravocrata.

A rainha, como representante do quilombo, tinha estratégias ímpares e uma percepção astuta, entendia que para conseguir a libertação dos negros em Salvador -BA, era preciso invadir a cidade e matar os brancos escravagistas.

Imagine o cheiro da mata, o som emanado pelas cachoeiras, as águas caindo em meio às pedras… os gritos por liberdade, vá devagar… inspire e expire, tem muito barulho, os pássaros estão ecoando gritos, e você consegue sentir essa potente batalha.

Recomendo que escute Spirit, de Beyoncé……. , para prosseguir nessa jornada.

“Your destiny is coming close

Stand up and fight

So go into a far off land

And be one with the Great I Am”

“Seu destino está chegando

Levante-se e lute

Então vá para aquela terra distante

E seja um com o Grande que Eu Sou”