Em 40 anos de pandemia da Aids as mulheres ainda sofrem com o preconceito

Nas décadas de 80 e 90 durante a luta contra a Aids, o Brasil foi protagonista no combate ao HIV/Aids servindo de exemplo para diversos países , obtendo reconhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e graças ao Sistema Único de Saúde (SUS) que a partir de 1996 começou a ofertar gratuitamente os medicamentos necessários para todos os brasileiros com a doença. Também foram realizadas diversas campanhas em nível nacional que contribuíram para que milhões de infecções fossem evitadas, apesar disto, muitas vidas ainda são perdidas fazendo-se necessário o aperfeiçoamento de políticas públicas e de pesquisas com o objetivo de salvar da Aids um número ainda maior de vidas. 

Para a subcoordenadora do Programa Radis, Justa Helena Franco, falar de HIV/Aids não pode ser tabu, como também não pode haver discriminação com pessoas portadoras da doença.   Em todo o país, de 1980 a junho de 2020, foram registrados pouco mais de 1 milhão de casos de Aids. 

De acordo com o Boletim Epidemiológico, o Brasil tem uma média de 39 mil novos casos da doença a cada ano e, nesta conta entram inclusive as mulheres cisgênero, (é a condição da pessoa cuja identidade de gênero corresponde ao gênero que lhe foi atribuído no nascimento), além de homossexuais, transexuais, entre outros. Cerca de 330 mil mulheres entre 20 e 39 anos, convivem com a doença no país, segundo o Ministério da Saúde.    

Muitas destas mulheres foram infectadas por seus cônjuges dentro de casa, ou nasceram com a doença que é transmitida ainda no útero da mãe para o bebê ao longo destes 40 anos, ou na amamentação, chamadas de transmissão vertical. O machismo, a cor da pele, a condição econômica, nível de escolaridade e a ausência de uma rede de apoio fazem-nas mais propensas ao HIV/Aids.  Atualmente, é possível encontrar redes como o Fala Posithivas e o UNAIDS Brasil para obter informações e apoio no que diz respeito a conviver com a doença. Apesar do preconceito e estigma para com as portadoras, todas têm direito garantidos aos medicamentos antirretrovirais, independente da carga viral desde 2013 que transformou uma infecção com risco de morte em uma condição crônica controlável, mesmo não tendo cura.

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