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Um ano para ser revisto

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Em um grupo de WhatsApp, com a maioria dos temas postados que tratam de política, uma pessoa propôs aos colegas que listassem atividades que geraram sorrisos em 2020. Confesso que o primeiro pensamento foi: Pirou! Quem há e o que há para sorrir nesse ano? Para minha surpresa, o autor do desafio foi o primeiro a listar algumas situações que para mim também foram de arrancar sorrisos. No caso do grupo, as situações eram ligadas ao campo da política e, penso, que faz muito sentido, pois se fossem pessoais ninguém entenderia nada. O tema comum é mais compreensível ao grupo. E aqui faço um adendo, pois para aqueles que acreditam em uma Força Maior (meu caso) vai sempre encontrar algo a ser comemorado.

Mesmo assim, o meu pessimismo continuou a falar mais alto. O segundo pensamento que me veio foi lembrar do título do livro do jornalista e escritor Zuenir Ventura – 1968: O ano que não terminou. Envolto em um contexto de ditadura e repressão, Zuenir relata as vitórias, frustrações e acontecimentos que envolveram a juventude (logo a sociedade brasileira) naquele final dos anos 1960. Me dei conta agora que preciso reler esse livro.

Mas naquele momento a relação com o título do Zuenir estava mais no fato que tenho pensado que 2020 foi o ano que não começou. Por força da profissão, sou um viciado e aficionado por notícias. Se bem que eu já era antes de entrar no jornalismo. Então, todos os dias sempre estou em busca de informações, notícias, reportagens de todas as áreas e assuntos. Aquelas que trazem em si cargas negativas, hoje, são enviadas nas redes sociais e, queiramos ou não, somos expostos a elas no momento da ocorrência. Não foi apenas um veículo de imprensa no Brasil, ou cidades específicas, em que as pessoas diziam que se torcessem o jornal escorreria sangue. O que falar da internet hoje em dia? Poderemos ter sangue, fel, líquido da vesícula biliar e outros fluidos biológicos fétidos. Aqueles que antes se viam incomodados com os impressos violentos, parecem conformados e ajustados à violência de hoje.

Tenho visto pessoas perturbadas nas redes sociais com os acontecimentos de 2020. Algumas chegam a argumentar que o ano não é para amadores. Essa afirmativa me indica dois caminhos paralelos que não precisam do infinito para que se encontrem. Essas pessoas se sentem protegidas e conformadas pelos acontecimentos e imputam aos demais as suas frustrações pela sua incapacidade de reação aos acontecimentos do ano, que na sua maioria são da sua responsabilidade. Reflita comigo. Não foi a pandemia que afastou as pessoas. Nem gerou casos mais bárbaros de violência. Não motivou os casos de racismo e todas as fobias existentes. Todos, invariavelmente, estavam submersos, encobertos, silenciados, emudecidos, sufocados em nossa sociedade, seja por práticas hierárquicas ou por acender outros espaços se viu no papel de opressor. Há necessidade de estudos mais complexos para entender as doenças que maculam os dias de hoje. Estamos pertos do fim do ano. Abrimos os últimos dias do ano que muitos nunca viram e outros vão lembrar por gerações. Pela primeira vez, pelo fato de ainda não termos solução para a pandemia, sinto caminhar para o próximo ano com a sensação de que esse não terminou. Nas festas de fim de ano, para aqueles que as fizerem, quais serão os desejos para os próximos dias, senão os mesmos que foram desejados por noves meses desse ano? Quais serão as expectativas para o ano vindouro, senão aquelas que gostaríamos que fossem anunciadas amanhã pela manhã? Como humanidade seremos pragmáticos e vamos resolver o problema de agora. Então, aquelas barbáries que a alguns perturbou, e que vieram à tona, estão fadadas a voltarem para o ostracismo das conveniências sociais. E assim chegamos em dezembro do ano que nem sei se começou e teima em não terminar. Esse é um ano para ser revisto. Vamos viver para ver.

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Celso José Oliveira

Jornalista, Mestre em Ciência da Comunicação, Professor, Assessor de Imprensa e Agrofloresteiro.
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