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Parte 1 A Resistência – Negros do Rio Grande do Sul

Lanceiro

Com Colaboração de Perla Santos

O estado do Rio Grande do Sul tem na maioria de sua população e arquitetura a influência da imigração de europeus ; italianos, alemães,espanhóis, poloneses, russos, judeus, árabes, japoneses, argentinos e uruguaios. Esse grande número de imigrantes foram motivados pelo governo brasileiro , que na época temia a invasão de suas terras pelos vizinhos , muitas estavam despovoadas.Logo se misturaram aos portugueses , índios e negros escravos que ali viviam.
No Rio Grande do Sul nos dados do IBGE em 2005 9.130.770 eram brancos, enquanto 1.683.718 eram negros, o novo módulo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (PNAD-Contínua) indica que a proporção de pardos e pretos, que formam o grupo negro, alcançou no ano de 2016 54,9% da população brasileira. Cinco anos atrás, o índice era de 52,7%. Estado majoritariamente branco (81,5% da população), mas os grupos pardos e pretos também apresentam tendência de crescimento. Cresceram de 16,2% para 18,2% entre 2012 e 2016.
Durante muito tempo, a população negra do Rio Grande do Sul , esteve esquecida pelo resto do país, muitos por faltam de conhecimento acreditavam que no Sul do país não existiam negros.
Bom isso é um fato atribuído a grande parte da sua população ter origens européias , mas também aos dados do IBGE que apontavam uma grande margem de pardos e uma pequena de negros , além é claro da invisibilidade social.
Na verdade o sucesso de muitas cidades da região Sul é creditada à imigração dos Europeus , e a negação da presença dos negros.

O Negro na História do Sul
Vivendo no país desde 1585, toda a população negra escravizada, arrancada de sua terra natal, com o passar dos anos, se tornou brasileira, integrando nosso povo. Essa condição (de brasileiros) é muito superior a de simples afrodescendentes; ela confere aos negros brasileiros nacionalidade e, pelo fato de estarem no país em todos os ramos da atividade social, lhes dá, principalmente, status e condição de classe. A história dos negros na região Sul costumava ser abordada como inexpressiva, quase ausente talvez por vergonha, acredito não ser a ser por maldade.Maldade ou covardia que diga David Canabarro, e por mais que alguns neguem, está registrada na história. O negro teve papel importante na construção do Rio Grande do Sul , pagou com a própria vida como no caso do Massacre de Porongos em novembro de 1844, as lideranças farroupilhas e imperiais já costuravam o fim da guerra, com um cenário totalmente favorável ao Império, mantendo o Rio Grande do Sul como província. Mas havia um ponto em particular que estava atrasando o acordo: a libertação dos escravos que lutaram ao lado dos farroupilhas , pela promessa de liberdade.
Mas o Império não aceitava a libertação destes escravos, pois temia que este fato desencadeasse movimentos abolicionistas Brasil afora. E algumas lideranças farroupilhas preferiam a libertação dos escravos, colocando inclusive como uma das exigências para o fim da revolta.

O impasse teria sido resolvido na Batalha de Porongos, quando soldados do exército imperial, liderados por Francisco Abreu, o Moringue, e autorizados pelo Barão de Caxias, atacaram de surpresa os farroupilhas que estavam aguardando ordens acampados na curva do arroio Porongos, que fica no município de Pinheiro Machado.
Além dos farroupilhas normais — que faziam parte de outros destacamentos do exército farroupilha — , faziam parte do grupo cerca de 100 lanceiros negros que estavam desarmados e foram dizimados pelos imperiais. Os poucos que restaram vivos foram vendidos no Rio de Janeiro. Esta foi uma das maiores covardia registrada em nossa história.

 ILUSTRAÇÕES DE THIAGO KRENING

”Caxias informou em ordem oficial que existia um acordo do Império com David Canabarro, um dos líderes farroupilhas  para desarmar os lanceiros. “

 ILUSTRAÇÕES DE THIAGO KRENING

CONTINUA NA PARTE 2

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